Cinquenta
50 (cinquenta) Continuo a olhar para este número com alguma desconfiança. Continuo a repeti-lo na esperança de que me faça mais sentido à terceira ou à quarta vez. Dito assim, até parece sério. Olho ao espelho e continuo à espera de sinais evidentes: tudo no sítio, nada range em excesso e a energia aparece… quase sempre a horas. Cabeça a funcionar (na maioria dos dias) e a mesma capacidade de rir de mim própria. Sem dramas dignos de nota, e uma estranha sensação de que isto deve ter acontecido por engano. Confesso que ainda me questiono como é possível ter chegado aos 50 sem dar por isso — deve ter sido numa distração qualquer entre risos, cafés e histórias acumuladas. Conclusão provisória: ou o tempo anda distraído, ou eu continuo a não levar isto muito a sério. Mal bateram as doze badaladas do 28, o meu Migas foi ao meu quarto para me dar um caloroso abraço e um doce beijo de parabéns. — Mãe, como te sentes com 50 anos? — Exatamente igual ao que sentia com 49. — Ma...



