Cinquenta
50 (cinquenta)
Continuo a olhar para este número com alguma desconfiança. Continuo a repeti-lo na esperança de que me faça mais sentido à terceira ou à quarta vez. Dito assim, até parece sério. Olho ao espelho e continuo à espera de sinais evidentes: tudo no sítio, nada range em excesso e a energia aparece… quase sempre a horas. Cabeça a funcionar (na maioria dos dias) e a mesma capacidade de rir de mim própria. Sem dramas dignos de nota, e uma estranha sensação de que isto deve ter acontecido por engano.
Confesso que ainda me questiono como é possível ter chegado aos 50 sem dar por isso — deve ter sido numa distração qualquer entre risos, cafés e histórias acumuladas.
Conclusão provisória: ou o tempo anda distraído, ou eu continuo a não levar isto muito a sério.
Mal bateram as doze badaladas do 28, o meu Migas foi ao meu quarto para me dar um caloroso abraço e um doce beijo de parabéns.
— Mãe, como te sentes com 50 anos?
— Exatamente igual ao que sentia com 49.
— Mas não parece nada, mãe.
— Também acho!
E rimos.
Apesar disto, e sem alimentar a ilusão de que "os 50 são os novos 30", expressão, para mim, acima de hipérbole (também já custo a tolerar exageros), prefiro encará-la como um eufemismo usado para nos convencer de que "até não estamos nada mal". Ainda assim, não voltaria atrás. Já não teria pachorra para tal.
É lidar, é somar e seguir.
Se já vivemos bons momentos aos 20, aos 30 e aos 40, o mesmo sucederá agora. A vida segue.
Parabéns, como sempre, aos do 28. Pertençam eles a que década for.
Aproveitando a oportunidade, FELIZ 2026!


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