Padre Paulo
Vou falar-vos de um bom amigo. Chama-se Paulo. É simpático, humilde, extrovertido, de sor(riso) fácil, inteligente, persuasivo, pragmático, muito bem-humorado e Padre! Nesta múltipla adjetivação pode, quiçá, existir algum termo que não se coadune com o perfil (retrógrado) de um representante da Igreja, mas ao meu amigo Prior ou Reverendo (como quase sempre o trato!), todos estes e mais alguns, lhe assentam que nem uma luva!
Hoje na missa, falava de fé e de razão, o que para muitos puristas se pode revelar antagónico. Mas não é, de facto. E só pessoas de fé e de razão podem, realmente defender esta tese, criando laços e correlações em conceitos, à primeira vista, tão distantes.
O seu discurso é sublime, não obstante, utiliza muitos regionalismos e tem uma pronúncia que faz jus à sua origem baixo-alentejana, o que o torna ainda mais genuíno. Diz o que tem para dizer, é arrojado, põe o dedo na ferida, mas sem castrar, sem afastar, sem reprimir, sempre no sentido da alteração de consciências, de hábitos e atitudes, de gente que pensa estar acima de tudo e todos.
Ainda hoje ri com o que disse (é já um habitué) e com as permanentes metáforas e exemplos impensáveis que utiliza, para nos mostrar que estamos sempre a tempo de "administrar" melhor a nossa vida, o nosso tempo, os nossos filhos, de quem julgamos ser donos mas que no fundo, não são mais do que os nossos espelhos... "más sementeiras, maus frutos"...
São homilias absolutamente realistas, sem floreados. Baseadas em leituras do Evangelho, sim, mas com uma análise contemporânea, muito sensível, arrebatadora, consciente do mundo que nos rodeia e que vai muito para além de uma pequena paróquia do Baixo-Alentejo.
Recriou práticas religiosas que não eram realizadas há décadas, nas paróquias que dirige. Acolheu pessoas (porque para o prior Paulo, todos são dignos). Aceitou diferenças. Aproximou a igreja das pessoas e não o contrário. "Alinhou" o coro. Promoveu atividades religiosas centradas na Família e conseguiu levar dezenas delas junto a si, deliberadamente. Criou o "Grupo de Jovens", o qual levou a cabo inúmeros eventos absolutamente comoventes (as vigílias, por exemplo). Incentivou à solidariedade.
É por isso incansável, valoroso, pondo muitas vezes a sua missão à frente da sua (débil) saúde.
As missas tornaram-se mais alegres, muitas vezes cantadas; saúdam-se crianças com salvas de palmas após o batismo; cantam-se os parabéns aos paroquianos presentes na missa de domingo. Ensinou-nos/reeducou-nos quanto à postura a ter na missa e hoje, sem questionar, fazêmo-lo como se o tivéssemos feito sempre assim.
Com tudo isto (e muito mais), o padre Paulo viu como recompensa, a sua igreja exponencialmente povoada.
Mas, provavelmente, TUDO ISTO não chegou para que o topo da hierarquia eclesiástica desse ouvidos à Vox Populi que de tudo fez, para impedir a saída do Prior Paulo para outra paróquia.
É com consternação que assistimos a esta tomada de decisão imperiosa, impiedosa, inflexível e irredutível.
Lamentamos.
Ainda assim, somos uns sortudos por nos terem dado a possibilidade de privar com ele.
Estar-lhe-emos sempre gratos pelo trabalho que desenvolveu e pelo amigo que foi (e continuará a ser).
"Coragem!" (expressão que sempre usa)
Até um dia, Prior Paulo. Ficará sempre, no melhor nós.
Hoje na missa, falava de fé e de razão, o que para muitos puristas se pode revelar antagónico. Mas não é, de facto. E só pessoas de fé e de razão podem, realmente defender esta tese, criando laços e correlações em conceitos, à primeira vista, tão distantes.
O seu discurso é sublime, não obstante, utiliza muitos regionalismos e tem uma pronúncia que faz jus à sua origem baixo-alentejana, o que o torna ainda mais genuíno. Diz o que tem para dizer, é arrojado, põe o dedo na ferida, mas sem castrar, sem afastar, sem reprimir, sempre no sentido da alteração de consciências, de hábitos e atitudes, de gente que pensa estar acima de tudo e todos.
Ainda hoje ri com o que disse (é já um habitué) e com as permanentes metáforas e exemplos impensáveis que utiliza, para nos mostrar que estamos sempre a tempo de "administrar" melhor a nossa vida, o nosso tempo, os nossos filhos, de quem julgamos ser donos mas que no fundo, não são mais do que os nossos espelhos... "más sementeiras, maus frutos"...
São homilias absolutamente realistas, sem floreados. Baseadas em leituras do Evangelho, sim, mas com uma análise contemporânea, muito sensível, arrebatadora, consciente do mundo que nos rodeia e que vai muito para além de uma pequena paróquia do Baixo-Alentejo.
Recriou práticas religiosas que não eram realizadas há décadas, nas paróquias que dirige. Acolheu pessoas (porque para o prior Paulo, todos são dignos). Aceitou diferenças. Aproximou a igreja das pessoas e não o contrário. "Alinhou" o coro. Promoveu atividades religiosas centradas na Família e conseguiu levar dezenas delas junto a si, deliberadamente. Criou o "Grupo de Jovens", o qual levou a cabo inúmeros eventos absolutamente comoventes (as vigílias, por exemplo). Incentivou à solidariedade.
É por isso incansável, valoroso, pondo muitas vezes a sua missão à frente da sua (débil) saúde.
As missas tornaram-se mais alegres, muitas vezes cantadas; saúdam-se crianças com salvas de palmas após o batismo; cantam-se os parabéns aos paroquianos presentes na missa de domingo. Ensinou-nos/reeducou-nos quanto à postura a ter na missa e hoje, sem questionar, fazêmo-lo como se o tivéssemos feito sempre assim.
Com tudo isto (e muito mais), o padre Paulo viu como recompensa, a sua igreja exponencialmente povoada.
Mas, provavelmente, TUDO ISTO não chegou para que o topo da hierarquia eclesiástica desse ouvidos à Vox Populi que de tudo fez, para impedir a saída do Prior Paulo para outra paróquia.
É com consternação que assistimos a esta tomada de decisão imperiosa, impiedosa, inflexível e irredutível.
Lamentamos.
Ainda assim, somos uns sortudos por nos terem dado a possibilidade de privar com ele.
Estar-lhe-emos sempre gratos pelo trabalho que desenvolveu e pelo amigo que foi (e continuará a ser).
"Coragem!" (expressão que sempre usa)
Até um dia, Prior Paulo. Ficará sempre, no melhor nós.


Oh rapariga já me fizeste chorar! Tudo fruto do teu bom coração e da tua linda família. Beijinhos do padre amigo.
ResponderEliminarSão palavras sentidas para quem, de facto, as merece.
EliminarObrigada por tudo!
A nossa casa estará sempre ao seu dispor, sempre.
Beijinho
Ainda bem que li este belo e sentido texto de uma paroquiana de Alvito que não conheço mas que fiquei, desde já, a admirar. Conheço o Padre Paulo e subscrevo na íntegra o retrato traçado. Contudo, o "rebanho" também me parece de grande qualidade e deixou-se sabiamente conduzir por este notável pastor de almas. Só lhe quero assegurar que o trataremos com todo o carinho e que a Cuba é logo ali ao lado de Alvito... Bem-haja pelas suas palavras.
ResponderEliminarTambém agradeço as suas bonitas palavras.
ResponderEliminarParabéns pelo excelente texto! Muito sentimento, muita emoção...concordo com cada palavra escrita!
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