O tal livro do qual se fala
Muito se tem falado ultimamente sobre um livro. E porquê?
No mínimo é estranho, pois no nosso país, o mais comum é dar-se valor ao que não tem qualquer importância e para isso basta ligar a TV ao domingo à tarde...
Intitula-se O nosso reino, de Valter Hugo Mãe. A maior parte das pessoas que opina sobre a obra, provavelmente ainda não a leu, mas, vulgarizou-se por aí que está impregnada de linguagem obscena e imprópria para miúdos de 14/15 anos. [Lembre-se que este livro é uma leitura recomendada do PNL - Plano Nacional de Leitura - para o ensino secundário, mas que por lapso, integrava as sugestões de leitura para o 8º ano]
Pois bem, quanto a isto só tenho a dizer que todo o boato pára, quando chega aos ouvidos de pessoas informadas e de bom-senso. Mas, nada como (tentar) esclarecer. A polémica, afinal, resume-se a meia dúzia de palavras contextualizadas que refletem a forma como era tratada uma personagem da obra. Ora, duas ou três frases foram o bastante para classificá-la como torpe ou de cariz sexual.
Ao ler algumas críticas, quer nas redes sociais ou noutros meios de comunicação, chego à conclusão de que estamos mesmo perante uma crise de valores. Senão vejamos:
o que são meia-dúzia de palavras escritas num livro (também recomendado para adolescentes), junto do vocabulário que os mesmos utilizam (alguns) junto dos próprios pais? Oh, por favor!
Asseguro-vos de que não ficarão traumatizados por esta razão, e, já agora, não façam deles meninos do jardim de infância...
Porventura já repararam, pais puristas e púdicos deste país, na quantidade de obscenidades que a juventude vomita a torto e a direito, diariamente? Por acaso, já se deram conta, do nível de malvadez de alguns videojogos (o GTA, por exemplo), na barbaridade de atos e de vocabulário com os quais os miúdos convivem quase todos os dias? Já assistiram aos vídeos de famosos youtubers (ídolos da malta) que cospem, em cada frase, uma data de palavrões? Já ouviram com a devida atenção, as letras das músicas do Agir, cujos concertos estão repletos de crianças e jovens que as sabem de cor? Se calhar ainda não repararam... Fica a dica. Mas olhem, deixem-me que vos diga, que são pais atentos às obras literárias sugeridas pelo PNL. Parabéns!
Só lamento que os vossos filhos tenham aprendido palavrões e a replicá-los na escola, na sala de aula, perante professores, funcionários e colegas, em casa... tudo por causa de um... livro!
Mas fiquem descansados! Caso a obra fosse adotada, alguém, seguramente, lhes iria explicar (aquando da leitura/análise) o propósito da utilização desse "vocabulário", porque as definições, essas, eles conhecem melhor do que ninguém!
Só para terminar: por mim acabava-se já com O Velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda (leitura recomendada), pois contém alguns palavrões; ou até mesmo, com o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, porque O Parvo é um grande malcriado e a Alcoviteira, nem vocês queiram saber! Ou, até mesmo, o canto X d' Os Lusíadas (leitura obrigatória) não vão os meninos ficar constrangidos com a proximidade das ninfas aos navegadores. Este Camões lembrava-se de cada coisa!...
"Os livros são mesmo perigosos; eles fazem-nos pensar."
No mínimo é estranho, pois no nosso país, o mais comum é dar-se valor ao que não tem qualquer importância e para isso basta ligar a TV ao domingo à tarde...
Intitula-se O nosso reino, de Valter Hugo Mãe. A maior parte das pessoas que opina sobre a obra, provavelmente ainda não a leu, mas, vulgarizou-se por aí que está impregnada de linguagem obscena e imprópria para miúdos de 14/15 anos. [Lembre-se que este livro é uma leitura recomendada do PNL - Plano Nacional de Leitura - para o ensino secundário, mas que por lapso, integrava as sugestões de leitura para o 8º ano]
Pois bem, quanto a isto só tenho a dizer que todo o boato pára, quando chega aos ouvidos de pessoas informadas e de bom-senso. Mas, nada como (tentar) esclarecer. A polémica, afinal, resume-se a meia dúzia de palavras contextualizadas que refletem a forma como era tratada uma personagem da obra. Ora, duas ou três frases foram o bastante para classificá-la como torpe ou de cariz sexual.
Ao ler algumas críticas, quer nas redes sociais ou noutros meios de comunicação, chego à conclusão de que estamos mesmo perante uma crise de valores. Senão vejamos:
o que são meia-dúzia de palavras escritas num livro (também recomendado para adolescentes), junto do vocabulário que os mesmos utilizam (alguns) junto dos próprios pais? Oh, por favor!
Asseguro-vos de que não ficarão traumatizados por esta razão, e, já agora, não façam deles meninos do jardim de infância...
Porventura já repararam, pais puristas e púdicos deste país, na quantidade de obscenidades que a juventude vomita a torto e a direito, diariamente? Por acaso, já se deram conta, do nível de malvadez de alguns videojogos (o GTA, por exemplo), na barbaridade de atos e de vocabulário com os quais os miúdos convivem quase todos os dias? Já assistiram aos vídeos de famosos youtubers (ídolos da malta) que cospem, em cada frase, uma data de palavrões? Já ouviram com a devida atenção, as letras das músicas do Agir, cujos concertos estão repletos de crianças e jovens que as sabem de cor? Se calhar ainda não repararam... Fica a dica. Mas olhem, deixem-me que vos diga, que são pais atentos às obras literárias sugeridas pelo PNL. Parabéns!
Só lamento que os vossos filhos tenham aprendido palavrões e a replicá-los na escola, na sala de aula, perante professores, funcionários e colegas, em casa... tudo por causa de um... livro!
Mas fiquem descansados! Caso a obra fosse adotada, alguém, seguramente, lhes iria explicar (aquando da leitura/análise) o propósito da utilização desse "vocabulário", porque as definições, essas, eles conhecem melhor do que ninguém!
Só para terminar: por mim acabava-se já com O Velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda (leitura recomendada), pois contém alguns palavrões; ou até mesmo, com o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, porque O Parvo é um grande malcriado e a Alcoviteira, nem vocês queiram saber! Ou, até mesmo, o canto X d' Os Lusíadas (leitura obrigatória) não vão os meninos ficar constrangidos com a proximidade das ninfas aos navegadores. Este Camões lembrava-se de cada coisa!...
"Os livros são mesmo perigosos; eles fazem-nos pensar."

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